terça-feira, 23 de julho de 2019

Medo


Medo, a mais primitiva das emoções. Desde a infância, nos entorpece de psicoses, cega a racionalidade e ludibria a consciência. Tememos a escuridão, os fantasmas, a rejeição e o abandono...

Tentamos nos refugiar no silêncio das preces, clamando para que as lágrimas da aurora afugentem os monstros.... No entanto, eles nunca vão. Não de verdade.

Arcano duelou com o tempo, e  não satisfeito com os triunfos da puerícia,  avança o fronte até o olímpio. Nada lhe impede, avançando seus tentáculos, paralisando os instintos, bloqueando a inteligibilidade, acovardando  a alma e encarcerando  a mente...

Às vezes,  encolhe-se, apertando as estranhas. O  coração se aflige, dispara, como se fosse romper o peito, em meio a angustia, desordem, caos... o som da trombeta fúnebre inebria a alma e anuncia os profundos e odiosos temores...

O medo, agora, se impunha em sua fortaleza.  O medo do desconhecido, de viver sozinho, de ser sozinho... e o pior de todos,  de que os mais próximos sejam os  monstros que tanto temíamos.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Em busca de si mesmo ...




Na busca por si mesmo, por saber quem somos, o que gostamos, e como preencher o abismo incomensurável da escuridão existencial, procuramos respostas por todo lugar... 

Na natureza, em Deus, nas pequenas e grandes tragédias que talvez nunca entenderemos. 

Mergulhamos no mais profundo oceano de dúvidas, incertezas, enfrentamos nossos próprios demônios, e abrimos  feridas indeléveis ...

Não importa o rastro que deixe, as cruzadas que tenham que ser travadas,  os pactos com o diabo que tenham que ser feitos...

Há apenas um único objetivo, um caminho, uma saída. É isso ou sucumbir ante própria ignorância, e perder-se, todos os dias, sem nunca ter se encontrado.  

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Sonhos



Os sonhos acontecem quando a imaginação ganha asas...

Não há limites, não há censura, há apenas liberdade. 
Liberdade de voltar a ser criança, ser o que quiser, poder idealizar o mundo, e traduzir a vida em rabiscos avivados e  epístolas que caem no infinito...

Os sonhos acontecem quando se  rompe a barreira do medo...
Lança-se no desconhecido, rompem-se as correntes da iludível  prisão, eleva-se materialidade ao impossível, tona-se palpável a remota miragem, calculáveis  e seguras as mais  desbravadoras fábulas.

Os sonhos acontecem quando a imaginação ganha asas...
Não há abordes, não há reprimenda,  há apenas vontade.
Vontade de subir o topo das montanhas, de deixar o vento beijar o rosto, e sentir a vida palpitar...

Os sonhos acontecem quando deixa o coração  falar...

Traição




Foi tu!Tu que apunhalaste meu peito aberto,  sem chance de reação!

Que rasgaste os tegumentos e tecidos mais profundos, dilacerando meu íntimo....

Que, de forma fulminante, sepultou minha esperança,

Que arruinou meus mais belos sonhos,

Que se ergueu às minhas custas! Ingrato!

Graças a mim tu es o que se fez hoje! E, ainda zombas de mim?

Agora, estou agonizante, em meio a mais aguda e terrível das dores .... Sentindo as trevas carbonizarem meu coração, através das mais cruéis e cintilantes das chamas... Ah, maldita traição!

Amarguro, meu amigo, ter aberto as portas de minha casa, de ter compartilhado com ti meu cigarro ....

Tu que foste sempre meu conselheiro, meu confidente, com quem planejava desbravar o mundo, conquistar as fronteiras e governar as nações...

Foi comigo, aqui, bem aqui na intimidade do meu lar, que dividiu o aroma e o sabor do grão amargo ... e não pensaste, um só minuto, no quão vil seria....

 Ah, maldita traição!! Se não foste tu, ainda seria uma criança!!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Quero




Quero, quero tanto que nem sei o quanto quero.....
 Quero desvendar o mundo, sem limites entre países, sem cercas, sem fronteiras, sem barreiras ...
Quero o céu,   as estrelas com seus brilhos cintilantes....

Quero ser tudo, ser todas em uma...
Quero a ser a terra, a agua e o ar...
Quero ser guerra e paz...
Quero a eternidade ....

Sou assim .... não caibo em lugar algum, porque não pertenço a nenhum lugar....
Sou volátil, mutante, mutável ... e nem por isso, aceito  qualquer coisa. Não! Qualquer coisa, não aceito!

Quero provar a liberdade do pássaro pairando,
Quero o sorriso do palhaço,
Quero a solidão da morte e a esperança do  desfalecido....
Quero, quero tanto que nem sei o quanto quero, quem nem sei o que quero, que nem sei o que sou...porque nada sou, porque sou tudo que quero.  

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Empáfia



Olhar alto, sem mirar, sem cruzar, sem direção...
Não se sabe para onde ele olha, porque seus olhos ascendem seus planos de cobiça, de conquista e poder. Nada nem ninguém podem ousar atravessar seu caminho...
Nada nem ninguém podem imaginar seus sonhos... Sonhos...pesadelos...

Sua crueldade se esconde na doçura e maciez de suas palavras, camuflando seus pensamentos mais sórdidos....sua calma...
Que calma! É calma de quem espera à espreita que suas vítimas sucumbam em suas armadilhas, e sintam o amargo do seu veneno à medida que vai lhes abraçando calorosamente... Levemente.

Olhar alto, sem mirar, sem cruzar, sem direção...
Empáfia, esse olhar de quem tem lentes mágicas de antever o futuro, de quem espera o momento a desvelar as mascaras e as garras, que espera transmudar, revelar,  despontar...já cansado de ser quem nunca foi, só para esconder quem realmente é. Já cansado de aturar a insuportável diferença de seus semelhantes, de visão menos acurada, só para ter quem lhe seja subserviente....

 Olhar alto, sem mirar, sem cruzar, sem direção... porque sua maldição será a de nunca encontrará quem entenda sua vil e perversa saga, e estará sempre olhando na escuridão.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Solta




Solta todo o ar que não te deixa respirar....

Encheste-me a alma de um vazio imenso, de recordações indeléveis, e de impressões marcadas em brasa...

Me solta, deixa-me voar, que minhas asas, mesmo emaranhadas, ainda conhecem o caminho da liberdade;

Solta todo seu passado,  me encontra pelos ares...

Me solta a vida, mas não me soltas jamais!

Medo

Medo, a mais primitiva das emoções. Desde a infância, nos entorpece de psicoses, cega a racionalidade e ludibria a consciência. Tememos a ...