Medo, a mais primitiva das emoções. Desde a
infância, nos entorpece de psicoses, cega a racionalidade e ludibria a consciência.
Tememos a escuridão, os fantasmas, a rejeição e o abandono...
Tentamos nos refugiar no silêncio das preces, clamando
para que as lágrimas da aurora afugentem os monstros.... No entanto, eles nunca
vão. Não de verdade.
Arcano duelou
com o tempo, e não satisfeito com os triunfos
da puerícia, avança o fronte até o olímpio.
Nada lhe impede, avançando seus tentáculos, paralisando os instintos, bloqueando
a inteligibilidade, acovardando a alma e
encarcerando a mente...
Às vezes, encolhe-se, apertando as estranhas. O coração se aflige, dispara, como se fosse
romper o peito, em meio a angustia, desordem, caos... o som da trombeta fúnebre
inebria a alma e anuncia os profundos e odiosos temores...
O medo, agora, se impunha em sua
fortaleza. O medo do desconhecido, de
viver sozinho, de ser sozinho... e o pior de todos, de que os mais próximos sejam os monstros que tanto temíamos.