terça-feira, 23 de julho de 2019

Medo


Medo, a mais primitiva das emoções. Desde a infância, nos entorpece de psicoses, cega a racionalidade e ludibria a consciência. Tememos a escuridão, os fantasmas, a rejeição e o abandono...

Tentamos nos refugiar no silêncio das preces, clamando para que as lágrimas da aurora afugentem os monstros.... No entanto, eles nunca vão. Não de verdade.

Arcano duelou com o tempo, e  não satisfeito com os triunfos da puerícia,  avança o fronte até o olímpio. Nada lhe impede, avançando seus tentáculos, paralisando os instintos, bloqueando a inteligibilidade, acovardando  a alma e encarcerando  a mente...

Às vezes,  encolhe-se, apertando as estranhas. O  coração se aflige, dispara, como se fosse romper o peito, em meio a angustia, desordem, caos... o som da trombeta fúnebre inebria a alma e anuncia os profundos e odiosos temores...

O medo, agora, se impunha em sua fortaleza.  O medo do desconhecido, de viver sozinho, de ser sozinho... e o pior de todos,  de que os mais próximos sejam os  monstros que tanto temíamos.

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