segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Pés descalços



De pés descalços, estriados pelas duras linhas da estrada, atarracado pelas andanças, achincalhado pelo terroso colorar, ele segue seu destino.
Segue de frente baixa, mas com o adorno guardando o sol que castiga os desavisados que o enfrentam de casco nu...
Nem a seca que castiga nem a chuva que devasta, nem o frio que invade as noites... A resistência feroz encontra na fé o elemento necessário para transpor o impossível, para vencer as barreiras dos limites humanos...

De pés descalços, estriados e atarracados porque guerreiro tem armadura, marcas de força e luta, e a cor da sua terra... terrosa, vermelha como tem que ser.
Nada, nada pode o destruir, porque sua alma blinda-se com escudo da fé, que anima, que consola, que motiva, e que faz sonhar...

Oh, guerreiros dos sertões nunca deixem seus escudos enfraquecerem, nem deixe de seguir as linhas tatuadas que marcam o caminho da sua existência....
Não se abata, guerreiro, ante ao achincalhamento dos pobres mortais  porque  quem tem a marca forte da vida no corpo jamais poderá curva-se a infame incompreensão da superioridade espiritual.

A incompreensão da tua bravura, resistência, luta esperança, fazem dos outros meros espectadores da vitória do guerreiro na terra, na terra vermelha, terrosa,  que tatua a linha da vida e define, desde o principio, o destino de cada um.


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